
Toda a gente acredita no amor. Toda.
Até os mais scépticos acreditam, acreditam, mas não o confessam a ninguém, nem a si mesmos. Acreditam os que já sofreram desgostos, os que foram traídos, os que deixaram de amar de um dia para o outro e os que já passaram pelo divórcio. Todos.
Todos vivemos para dar e receber amor e carinho venha ele de um cão, de um vizinho, de um colega, de um pai, de uma mãe...enfim ninguém vive sem amar. É impossível.
Eu acredito no amor. Mesmo tendo passado por desgostos que me fizeram duvidar, que me fizeram dizer "nunca mais" e hoje apesar das juras, amo, e amo como nunca amei. Amo perdidamente e não tenho medo de o dizer.
Amo ao longe, embora tenha amado ao perto (a mesma pessoa), e confesso que amar ao longe tem as suas vantagens e desvantagens: a vantagem de escapar ilesa ao desgaste da rotina, do sexo sem ardor, do beijo esperado e conformado; e a desvantagem de estar fisicamente longe e de não pode partilhar os momentos a dois.
Amar é complicado. Muito. E ainda hoje questiono-me sobre o segredo de uma relação plena.
Questiono-me se o amor eterno existe, se o amor em crise tem hipótese de sobreviver ao day after.
Pergunto-me se é possível amar-se perdidamente ad eterno e se as circunstâncias da vida não serão mais fortes que tudo.
Acredito que o amor perdoa, mas será que perdoa sem sair beliscado? Sem sair fragilizado? Será que a continuidade e a longevidade de uma relação é o seu maior inimigo? será?
A vida é repleta de acontecimentos inesperados, as exigências do trabalho são cada vez maiores e nem sempre é fácil conciliar uma vida profissional com uma vida pessoal plena.
E os filhos? serão eles uma benção ou um elemento estranho que se aloja entre os dois amantes para o todo o sempre? Tenho dúvidas. Grandes. Enormes.
Acredito no amor, mas temo fragilizar perante as circunstâncias que podem não ser favoráveis ao amor.
Por outro lado, não acredito que a solução seja uma relação a meio gás, a meio fogo em que cada um vive no seu mundo e se encontra com hora marcada para gozar apenas o lado bom da vida. Isso não é amor. É fantasia. É fuga. É conforto. É comodismo.
A verdade é que amar é uma necessidade que pode virar ao pesadelo. Requer muita energia, muita fé, muita perseverança, muito sacrifício e muita cedência. Amar não tem nada de perfeito nem de quimérico e talvez seja esse o nosso primeiro erro: buscar o quimérico e o fantasioso em algo que não o é nem nunca o foi e nunca o será.
Amar é genuinamente imperfeito. Ninguém nasce naturalmente preparado para saboreá-lo na sua plenitude e muito menos para sobriver às investidas do seu génio difícil.
Como viver e sobreviver ao amor? eis a questão.